{"id":669,"date":"2021-10-14T10:44:15","date_gmt":"2021-10-14T13:44:15","guid":{"rendered":"https:\/\/moraistavares.adv.br\/blog\/?p=669"},"modified":"2021-10-14T10:56:09","modified_gmt":"2021-10-14T13:56:09","slug":"cuidados-paliativos-os-erros-e-mitos-no-tratamento-de-doencas-graves-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/moraistavares.adv.br\/blog\/cuidados-paliativos-os-erros-e-mitos-no-tratamento-de-doencas-graves-no-brasil\/","title":{"rendered":"Cuidados paliativos: Os erros e mitos no tratamento de doen\u00e7as graves no Brasil"},"content":{"rendered":"<h1>Cuidados paliativos: Os erros e mitos no tratamento de doen\u00e7as graves no Brasil<\/h1>\n<article><strong>Fonte:<\/strong> BBC NEWS BRASIL<\/p>\n<div class=\"protected-content\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto se preparava para ir \u00e0 balada, Ana Michelle Soares colocou um vestido vermelho e se olhou no espelho. &#8220;Posso estar morrendo, mas estou bem gata&#8221;, pensou.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio, que ela lembra hoje com bom humor, aconteceu em 2015, dias ap\u00f3s ouvir uma not\u00edcia nada agrad\u00e1vel: seu c\u00e2ncer de mama diagnosticado em 2011, quando ela tinha 28 anos, havia se espalhado para outras partes do corpo, num processo conhecido como met\u00e1stase.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0 \u00e9poca, eu vi no prontu\u00e1rio m\u00e9dico que, a partir dali, o objetivo do meu tratamento era &#8216;paliativo'&#8221;, relata.<\/p>\n<p>&#8220;Aquela palavra soava estranha para mim, era como se eu estivesse morrendo. E eu me sentia bem&#8221;, continua.<\/p>\n<p>No final de semana ap\u00f3s a balada, Soares resolveu entender melhor o que esse tal de paliativo realmente significava. &#8220;Quando finalmente compreendi, percebi que era algo \u00f3bvio, que deveria ter sido oferecido a mim desde o come\u00e7o do meu tratamento&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Decidi ent\u00e3o come\u00e7ar a fazer cuidados paliativos por mim mesma. Fui atr\u00e1s de terapia, suporte espiritual e resolvi muitas quest\u00f5es que me causavam sofrimento&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos seis anos, Soares virou uma das vozes mais ativas do movimento paliativista brasileiro. Ela lan\u00e7ou os livros Enquanto Eu Respirar, em 2019, e Vida Inteira, em 2020, ambos pela Editora Sextante, cuida da conta de Instagram @paliativas, que tem mais de 120 mil seguidores, e coordena a Casa Paliativa, um espa\u00e7o de conviv\u00eancia para pacientes com enfermidades que amea\u00e7am a vida.<\/p>\n<p>&#8220;Eu posso at\u00e9 estar com uma doen\u00e7a grave. Mesmo assim, ainda vale a pena viver da melhor forma poss\u00edvel&#8221;, raciocina.<\/p>\n<p>Dez anos depois do diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer, Soares segue em tratamento, mas conta que conseguiu conviver melhor com a doen\u00e7a gra\u00e7as aos cuidados palilativos.<\/p>\n<p><strong>Do pouco conhecimento ao olho do furac\u00e3o<\/strong><br \/>\nNas \u00faltimas semanas, os cuidados paliativos foram alvo de um intenso debate por causa da CPI da Covid. O assunto veio \u00e0 tona pela primeira vez no dia 22 de setembro, quando os parlamentares que comp\u00f5em a comiss\u00e3o ouviram o m\u00e9dico Pedro Benedito Batista Junior, diretor da Prevent Senior. Na ocasi\u00e3o, o senador Otto Alencar (PSD-BA) afirmou que a operadora de sa\u00fade criou a figura do &#8220;paliatista&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Ouvi muitos m\u00e9dicos dizendo, confirmando, que tiravam [o paciente com covid-19] da UTI, botavam na enfermaria e faziam a &#8216;paliatiza\u00e7\u00e3o&#8217;. O seu hospital criou uma nova especialidade: &#8216;paliatistas'&#8221;, declarou o senador.<\/p>\n<p>Ao ser perguntado o que significava esse termo, Alencar explicou: &#8220;Ao contr\u00e1rio de fazer o tratamento correto dentro da UTI [&#8230;], o que acontecia? O paciente ficava sete dias. &#8216;Esse aqui n\u00e3o vai ter jeito, vai para a enfermaria e vai tomar paliativos&#8217;. Por isso, chama-se &#8216;paliatiza\u00e7\u00e3o&#8217; [&#8230;] Acredito que \u00e9 um absurdo\u2026&#8221;<\/p>\n<p>No mesmo dia e nas outras reuni\u00f5es que se seguiram, membros da CPI e os pr\u00f3prios depoentes fizeram uma s\u00e9rie de outras afirma\u00e7\u00f5es relacionadas a esse t\u00f3pico. Alguns chegaram a dizer, de forma equivocada, que cuidados paliativos s\u00f3 s\u00e3o ofertados \u00e0 beira da morte e que a pr\u00e1tica \u00e9 similar \u00e0 eutan\u00e1sia.<\/p>\n<p>O tema voltou a esquentar na sess\u00e3o do dia 7 de outubro, quando o advogado Tadeu Frederico de Andrade, de 65 anos, compareceu \u00e0 comiss\u00e3o e prestou seu relato ap\u00f3s ficar internado com covid-19 num hospital da Prevent Senior e ouvir falar em cuidados paliativos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s toda essa exposi\u00e7\u00e3o inesperada, entidades como a Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) soltaram notas de rep\u00fadio \u00e0s alega\u00e7\u00f5es e \u00e0s formas como essa especialidade foi tratada. Parte desse material, inclusive, foi lido na pr\u00f3pria CPI pelo senador Humberto Costa (PT-PE) na sess\u00e3o do dia 29 de setembro.<\/p>\n<p>&#8220;Como o Brasil n\u00e3o tem pol\u00edtica ou financiamento p\u00fablico e privado sobre os cuidados paliativos, o sofrimento dos pacientes acaba sempre relegado a um segundo plano&#8221;, protesta o geriatra Douglas Henrique Crispim, presidente da ANCP.<\/p>\n<p>&#8220;E h\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o absolutamente errada, quase uma lenda urbana, do que \u00e9 ser paliativista. Muitos acham que a gente s\u00f3 \u00e9 chamado na hora de sedar o paciente, para ele morrer. Isso vem da falta de conhecimento t\u00e9cnico sobre o assunto&#8221;, completa a m\u00e9dica Ana Claudia Arantes, fundadora da Casa Humana, uma institui\u00e7\u00e3o que trabalha com cuidados paliativos, e autora dos livros A Morte \u00e9 um Dia que Vale a Pena Viver e Hist\u00f3rias Lindas de Morrer, ambos lan\u00e7ados pela Editora Sextante.<\/p>\n<p>Dias depois daquela fala inicial, em 22\/9, Otto Alencar disse \u00e0 coluna da jornalista M\u00f4nica Bergamo, da Folha de S. Paulo, que n\u00e3o se expressou bem e foi mal interpretado ao falar dos cuidados paliativos. A BBC News Brasil tamb\u00e9m procurou diretamente a assessoria de imprensa do senador para que ele tivesse a oportunidade de dar o seu ponto de vista sobre a quest\u00e3o, mas n\u00e3o recebemos uma resposta at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 poss\u00edvel aproveitar a pol\u00eamica criada na CPI e a proximidade com o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, comemorado em 9 de outubro de 2021, para desfazer alguns mitos e explicar de uma vez por todas o que \u00e9 essa especialidade.<\/p>\n<p><strong>O que s\u00e3o os cuidados paliativos?<\/strong><br \/>\nEm resumo, cuidados paliativos s\u00e3o uma \u00e1rea que lida com o sofrimento gerado pelo diagn\u00f3stico e pelo tratamento de uma doen\u00e7a que amea\u00e7a a vida.<\/p>\n<p>&#8220;A enfermidade envolve v\u00e1rias dimens\u00f5es de sofrimento, da dor f\u00edsica \u00e0s afli\u00e7\u00f5es espirituais e existenciais&#8221;, acrescenta Crispim, que tamb\u00e9m \u00e9 m\u00e9dico assistente do N\u00facleo de Cuidados Paliativos do Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas vezes, o paciente morre na UTI [Unidade de Terapia Intensiva], longe de seus familiares e submetido a procedimentos que causam ang\u00fastia e n\u00e3o v\u00e3o mais salvar a vida dele&#8221;, aponta.<\/p>\n<p>O paliativista atua junto do enfermo e de toda a sua fam\u00edlia para aliviar poss\u00edveis focos de afli\u00e7\u00e3o e garantir o m\u00ednimo de bem-estar, dignidade, autonomia e independ\u00eancia neste momento.<\/p>\n<p>Para Crispim, os profissionais de sa\u00fade ainda carregam uma no\u00e7\u00e3o muito equivocada do que \u00e9 cuidar de algu\u00e9m.<\/p>\n<p>&#8220;A nossa medicina \u00e9 condicionada a entregar tr\u00eas coisas como valor: exames, medicamentos e procedimentos&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Mas h\u00e1 um limite de at\u00e9 onde a medicina vai e n\u00f3s podemos, sim, prover um outro tipo de cuidado, que aproxima e conecta as pessoas sem &#8216;abandonar&#8217; o paciente&#8221;, completa.<\/p>\n<p>&#8220;A sociedade tem um entendimento de que fazer interven\u00e7\u00f5es \u00e9 sempre bom e deixar de fazer \u00e9 ruim. No cuidado paliativo, n\u00f3s tamb\u00e9m prescrevemos tratamentos e procedimentos, mas nosso objetivo principal n\u00e3o \u00e9 mais o controle da doen\u00e7a ou a cura&#8221;, resume Arantes.<\/p>\n<p>Que fique claro: a decis\u00e3o sobre fazer ou n\u00e3o determinado tratamento depende de uma conversa franca e honesta, que envolve toda a equipe m\u00e9dica, o paciente (se ele estiver consciente) e a fam\u00edlia. A partir dessa reuni\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel chegar a um consenso e tomar uma decis\u00e3o em conjunto sobre o melhor caminho a seguir.<\/p>\n<p><strong>O que n\u00e3o s\u00e3o cuidados paliativos?<\/strong><br \/>\nAo contr\u00e1rio do que foi dito na CPI, os cuidados paliativos, quando bem feitos e conduzidos, n\u00e3o tem nada a ver com eutan\u00e1sia, ou com deixar o paciente morrer sem oferecer a ele o melhor tratamento.<\/p>\n<p>&#8220;O pensamento \u00e9 justamente o contr\u00e1rio: os cuidados paliativos s\u00e3o a principal forma que o Brasil tem para combater a eutan\u00e1sia, que inclusive \u00e9 uma pr\u00e1tica ilegal no pa\u00eds&#8221;, diferencia Crispim.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso trabalho \u00e9 discutir os tratamentos dispon\u00edveis para aquele caso e pensar, seguindo a evid\u00eancia cient\u00edfica, as op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas que n\u00e3o v\u00e3o funcionar e podem at\u00e9 aumentar o sofrimento&#8221;, complementa.<\/p>\n<p>Vale dizer aqui que a eutan\u00e1sia \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, uma a\u00e7\u00e3o ou uma omiss\u00e3o com a \u00fanica finalidade de abreviar a vida de algu\u00e9m.<\/p>\n<p>Os cuidados paliativos, refor\u00e7a Crispim, tentam trazer al\u00edvio em todas as fases da doen\u00e7a e podem ser empregados em paralelo \u00e0 terapia-padr\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Eles s\u00f3 s\u00e3o indicados no fim da vida?<\/strong><br \/>\nArantes lamenta que, no Brasil, a equipe de cuidados paliativos s\u00f3 seja chamada nos \u00faltimos dias, quando n\u00e3o h\u00e1 mais muita coisa a ser feita.<\/p>\n<p>&#8220;Infelizmente, a maioria dos brasileiros morrem doentes e mal cuidados&#8221;, critica a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>O ideal, segundo o ponto de vista dela, \u00e9 contar com o suporte de especialistas na \u00e1rea desde o in\u00edcio, no momento em que \u00e9 feito o diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p>&#8220;O dia em que voc\u00ea pega o resultado de um exame e sabe que est\u00e1 com uma doen\u00e7a que amea\u00e7a sua vida marca o in\u00edcio do sofrimento&#8221;, diz.<\/p>\n<p>E existem pesquisas mostrando que a aplica\u00e7\u00e3o precoce dos cuidados paliativos pode fazer toda a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Um estudo feito em 2015 no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, nos Estados Unidos, comparou dois grupos de pacientes com c\u00e2ncer avan\u00e7ado. O primeiro recebeu cuidados paliativos logo ap\u00f3s o diagn\u00f3stico, enquanto o segundo esperou tr\u00eas meses antes de iniciar esse tipo de cuidado.<\/p>\n<p>Os resultados mostram que a primeira turma apresentou uma taxa de sobreviv\u00eancia ap\u00f3s um ano relativamente maior em compara\u00e7\u00e3o com os outros indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>E os benef\u00edcios n\u00e3o se limitam aos pacientes: os pr\u00f3prios cuidadores apresentam melhor qualidade de vida e menos taxas de sintomas depressivos quando as terapias s\u00e3o iniciadas com anteced\u00eancia.<\/p>\n<p>Essas e outras evid\u00eancias fizeram a Sociedade Americana de Oncologia Cl\u00ednica (Asco, na sigla em ingl\u00eas) mudar, a partir de 2016, suas diretrizes e indicar os cuidados paliativos como parte integrante do tratamento do c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>&#8220;Quanto antes a integra\u00e7\u00e3o paliativa ocorrer, melhor os pacientes se sentir\u00e3o, maior ser\u00e1 o tempo de sobreviv\u00eancia deles e mais f\u00e1cil ser\u00e1 tolerar todos os medicamentos&#8221;, definiu a m\u00e9dica Vyjeyanthi Periyakoil, professora da Universidade Stanford e uma das autoras da recomenda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Que tipo de doen\u00e7as demandam a aten\u00e7\u00e3o de um paliativista?<\/strong><br \/>\nEngana-se quem pensa que os indiv\u00edduos com c\u00e2ncer s\u00e3o os \u00fanicos beneficiados pelos cuidados paliativos.<\/p>\n<p>&#8220;Pacientes com doen\u00e7a renal, pulmonar, card\u00edaca, enfim, qualquer uma que amea\u00e7a a continuidade da vida, podem se beneficiar&#8221;, resume Arantes.<\/p>\n<p><strong>Que profissionais podem atuar nessa \u00e1rea?<\/strong><br \/>\nA chave para uma equipe paliativista bem-sucedida est\u00e1 na multidisciplinaridade e nas diferentes forma\u00e7\u00f5es dos profissionais<\/p>\n<p>&#8220;O time b\u00e1sico \u00e9 composto por m\u00e9dico, enfermeiro, psic\u00f3logo e assistente social&#8221;, lista Crispim.<\/p>\n<p>&#8220;Mas servi\u00e7os mais especializados tamb\u00e9m contam com terapeuta ocupacional, fonoaudi\u00f3logo, odontologista e fisioterapeuta&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o do especialista, cada um desses profissionais pode atuar de uma forma diferente, aliviando diversos tipos de dor e sofrimento que podem surgir pelo caminho.<\/p>\n<p><strong>Essa \u00e9 uma especialidade nova na medicina?<\/strong><br \/>\nNo formato atual, o paliativismo surgiu entre o final dos anos 1960 e o in\u00edcio dos 1970 no Reino Unido.<\/p>\n<p>A pioneira da \u00e1rea \u00e9 a brit\u00e2nica Cicely Saunders (1918-2005). Ela se formou em enfermagem, servi\u00e7o social e medicina com o objetivo de aliviar o sofrimento humano.<\/p>\n<p>Em 1967, Saunders fundou o St. Christopher&#8217;s Hospice, em Londres, que fornece cuidado integral ao paciente com doen\u00e7a grave.<\/p>\n<p>De acordo com o site da ANCP, a enfermeira, assistente social e m\u00e9dica se notabilizou pela frase &#8220;ainda h\u00e1 muito a fazer&#8221;, que era repetida toda vez que um paciente dizia ter ouvido de profissionais de sa\u00fade que &#8220;n\u00e3o h\u00e1 mais nada a fazer&#8221;.<\/p>\n<p>Outra refer\u00eancia na \u00e1rea foi Elisabeth K\u00fcbler-Ross (1926-2004), uma psiquiatra su\u00ed\u00e7a que escreveu o livro Sobre a Morte ou o Morrer (Editora WWF).<\/p>\n<p>Mas o conceito de cuidado integral do sofrimento \u00e9 bem mais antigo que isso. &#8220;At\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo 20, o m\u00e9dico era a pessoa que acompanhava o paciente, at\u00e9 porque n\u00e3o havia muita coisa a ser feita na maioria dos casos&#8221;, explica Arantes.<\/p>\n<p>O nome paliativo, ali\u00e1s, vem do latim pallium, que era o nome do manto usado por cavaleiros como prote\u00e7\u00e3o das chuvas ao longo das viagens.<\/p>\n<p><strong>Tratar a dor \u00e9 o \u00fanico foco dos cuidados paliativos?<\/strong><br \/>\nEssa costuma ser a primeira miss\u00e3o dos paliativistas, mas n\u00e3o a \u00fanica.<\/p>\n<p>&#8220;A pessoa que est\u00e1 com dor n\u00e3o consegue sequer pensar nas outras dimens\u00f5es de sofrimento&#8221;, destaca Soares.<\/p>\n<p>Nos dias atuais, a medicina tem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o alguns rem\u00e9dios para acabar com os inc\u00f4modos f\u00edsicos. O desafio, claro, \u00e9 saber us\u00e1-los na dose e no momento certo.<\/p>\n<p>&#8220;A dor chega a atrapalhar o pr\u00f3prio tratamento, j\u00e1 que ela causa ansiedade e depress\u00e3o e interfere diretamente na qualidade de vida&#8221;, nota a escritora e ativista.<\/p>\n<p>Quando esse deixa de ser o inc\u00f4modo principal, a equipe de cuidados paliativos consegue atuar com mais tranquilidade em outros aspectos importantes.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 nessa hora que eles perguntam as outras dores que estamos sentindo. Isso envolve uma s\u00e9rie de outros fatores, que v\u00e3o desde quest\u00f5es existenciais, como qual o prop\u00f3sito da vida e o que h\u00e1 depois da morte, at\u00e9 coisas pr\u00e1ticas, como os direitos do paciente e o transporte at\u00e9 o hospital&#8221;, detalha Soares.<\/p>\n<p>Nessa seara, entra tamb\u00e9m uma discuss\u00e3o sobre estigmas e chav\u00f5es muito comuns nesse momento de maior debilidade.<\/p>\n<p>&#8220;Ouvimos muito de outras pessoas que precisamos ter f\u00e9 para melhorar. Da\u00ed, quando n\u00e3o melhoramos, ficamos com aquela sensa\u00e7\u00e3o de que estamos sendo castigados por uma for\u00e7a divina e n\u00e3o merecemos a cura&#8221;, aponta Soares.<\/p>\n<p>&#8220;Outra coisa vergonhosa \u00e9 usar palavras b\u00e9licas para definir o tratamento de uma doen\u00e7a. Nos acostumamos a ouvir que a pessoa &#8216;perdeu a batalha&#8217; contra o c\u00e2ncer, como se ela fosse fracassada&#8221;, acrescenta Arantes.<\/p>\n<p>&#8220;Se a cura fosse t\u00e3o f\u00e1cil assim, n\u00e3o ter\u00edamos tanta gente estudando o assunto h\u00e1 d\u00e9cadas&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Ainda na quest\u00e3o dos preconceitos e mitos, o m\u00e9dico Douglas Henrique Crispim, presidente da ANCP, fez um pedido especial pouco antes de encerrar a entrevista para esta reportagem. &#8220;Por favor, n\u00e3o usem aquela imagem cl\u00e1ssica de uma m\u00e3o sobre a outra para ilustrar os cuidados paliativos&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s precisamos mostrar que a morte faz parte da vida, e \u00e9 poss\u00edvel buscar dignidade e bem-estar mesmo num momento t\u00e3o dif\u00edcil&#8221;, completou.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" title=\"\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/kWwG5i39dCZJ0KYm2_I7SOWV6FM=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2018\/10\/25\/bbc-pe.gif\" alt=\"BBC footer (Foto: BBC)\" width=\"740\" height=\"11\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<footer><\/footer>\n<\/article>\n<section id=\"pos-content\">\n<div id=\"sponsored-content\"><\/div>\n<div id=\"most-read\"><\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cuidados paliativos: Os erros e mitos no tratamento de doen\u00e7as graves no Brasil Fonte: BBC [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":670,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[19,202],"tags":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v15.6.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\r\n<title>Cuidados paliativos: Os erros e mitos no tratamento de doen\u00e7as graves no Brasil - Blog Morais &amp; 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